01 janeiro 2008

Mais um ano ou menos um ano?

É o que pergunto a alguns conhecidos no último dia 31 de cada ano, quando nos encontramos pra avaliar como foi o ano que passou.
E como todos, invariavelmente, saem a falar como foi o período de 365 dias que passou, me bate uma baita tentação de falar como foi meu ano passado, e, por irresistível, lá vai:

Completei meu segundo ano sem cigarro, ví meu filho terminar o primeiro ano primário com desempenho excelente, profissionalmente obtive conquistas perenes(que embora não tenham significado aumento no salário mas significaram reconhecimento profissional futuro a médio prazo), ví meu time cair pra segunda divisão do Brasileirão, ví o time de minha esposa cair também, a morte de meu irmão reforçou o laço familiar com minha irmã e, entre alegrias e tristezas, tenho certeza que posso me considerar um cara feliz.

Olhando pra trás, percebo que aconteceram coisas que jamais imaginei que aconteceriam...

Como naquela noite, de 24 de setembro, 19.00 hs aproximadamente, quando tocou o telefone e a conhecida do outro lado da linha perguntou se eu tava sentado. De imediato imaginei que ia contar que minha tia tinha falecido, ela que estava muito mal com o falecimento recente do marido, meu tio Natalício.
Mas não, ela disse "O Bébe morreu". Bébe era o apelido do meu irmão. Tinha conversado com ele via fone na manhã daquela segunda-feira. Estava feliz.

Certas coisas deveriam ser proibidas de acontecer. A morte das pessoas que amamos, por exemplo.

Tchau, 2007.


28 dezembro 2007

O assassinato de Benazir Bhutto

É sempre chocante assistir à decomposição de um país. Mas, após o assassinato de Benazir Bhutto, é o que está acontecendo com o Paquistão. O momento é tenso. Uma revolta popular pode estourar. Agora, que faria sentido declarar Estado de Emergência e impor a Lei Marcial, o presidente Pervez Musharraf está desautorizado. Afinal, há coisa de dois meses, aplicou um golpe contra a Suprema Corte utilizando-se justamente desta tática.

Será que ousaria um novo Estado de Emergência? Será que sobreviveria a tal decreto? Será que o Exército se manterá fiel a ele? Será que o Serviço de Inteligência, tão ligado ao norte islâmico, ainda o respeita minimamente?

Leia o resto aqui, aqui,
no blog do Pedro Dória

O assassinato de Benazir Bhutto: Caos num país que tem a bomba atômica?

WASHINGTON - A ex-primeira ministra Benazir Bhutto voltou ao Paquistão depois de uma negociação que envolveu o governo Bush, com o objetivo de oferecer uma alternativa democrática ao governo do ditador Pervez Musharraf nas eleições marcadas para 8 de janeiro.

Musharraf era o maior aliado dos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror. Todos os aliados de Bush na invasão do Iraque se deram mal: Jose Maria Aznar na Espanha, Tony Blair no Reino Unido, Silvio Berlusconi na Itália e John Howard na Austrália.

Leia o resto aqui, do Vi o Mundo, do Azenha.

25 dezembro 2007

A verdadeira história do Papai Noel

Papai Noel com bochechas rosadas e sorriso bonachão nasceu num poema anônimo, publicado no New York Sentinel, jornal que não existe mais, no 23 de dezembro em 1823. Chamava-se São Nicolau, ainda, era um elfo baixinho, carregava seu saco de presentes com o qual descia chaminés abaixo. Ali já estava a costura de um santo católico com mitos nórdicos. Tem três pais modernos: o poeta anônimo, um mordaz cartunista político analfabeto e um desenhista publicitário conhecido pelas moças seminuas pin-ups que traçava.

De origem mesmo, Papai Noel é personagem histórico, São Nicolau. Cinco santos católicos tem este nome, um deles papa. Do original, São Nicolau de Bari, pouco se conhece. Nasceu em Lícia, que hoje fica na Turquia, em finais do século 3. Órfão de pais ricos, peregrinou pela Palestina e Egito, abraçou o cristianismo. Era uma época tumultuada, finais do governo de Diocleciano, quando seguir Cristo já era atividade popular mas ainda coisa perseguida. Jovem ainda, Nicolau sacramentou-se padre e foi feito bispo de Mira, sua região natal.

Ficou preso e provavelmente foi torturado muitos anos até que ascendeu ao trono romano Constantino, em 306, que posteriormente cristianizou o império, em 312. Tempo de rancores – era preciso lidar com a turma que renegou Cristo para evitar a prisão; inventaram o sacramento da confissão por conta. Carecia também gerenciar o conflito entre o imperador e o papa Silvestre I, que disputavam o comando da Igreja. E, sobretudo, alguém precisava decidir o que afinal era Jesus Cristo.

Em 325 fez-se a primeira reunião de todos os bispos para afinar o discurso no Concílio de Nicéia. Nicolau era um dos defensores da tese da trindade – de que Cristo era Deus – e seu lado terminou por vencer o grupo que o via como um profeta, um homem entre homens. Os bispos decidiram também que evangelhos entravam na Bíblia e afastaram o cristianismo do judaísmo original, abolindo o sábado como dia de descanso e adotando o domingo, incluindo-se aí uma nova data para a Páscoa.

No entanto, ele é um santo embaraçoso para a Igreja contemporânea – na Enciclopédia Católica oficial, põe-se em dúvida até se participou ou não do concílio. Nem todos os bispos foram, só a maioria. Mas o bispado de Nicolau incluía a Anatólia, local do concílio – por que estaria ausente duma reunião em casa? Só que é embaraçoso: os milagres lhe atribuídos são um tanto incríveis e a Igreja implica com o encontro da religião com crendice popular. Uma vez, por exemplo, São Nicolau caminhou pelas águas do mar para salvar um pescador que ia afogando.

Chaminés e presentes

Seu feito mais lembrado é a história de um pai muito pobre que via suas três filhas chegando à idade de casar e não tinha dinheiro para o dote; sem marido, teriam de prostituir-se para viver. Nicolau, com sua roupa vermelha de bispo, rondou a casa à noite com três saquinhos de ouro; abriu a janela do quarto da primeira filha e depositou um; fez o mesmo no quarto da segunda e, como a terceira dormia na sala, jogou-o pela chaminé. O saquinho caiu dentro de uma meia que estava secando à lareira. Papai Noel, de barba branca, vestes rubras, com direito a meias e lareiras.

Apesar da ranzinzice católica, é um santo popularíssimo. Há mais igrejas erguidas em seu nome, na Europa, do que a cada um dos apóstolos individualmente. É o santo padroeiro da Grécia e da Rússia como o era de Nápoles, Sicília e Lorena em seus tempos de independência. Os restos mortais do santo foram transferidos para a Itália em 1087 e estão depositados numa igreja em Bari – daí São Nicolau de Bari. É padroeiro dos pescadores, dos banqueiros e dos penhores – o ícone das casas de penhora, três bolas, remetem às três bolsas de ouro.

É muito antiga a tradição de trocar presentes nesta época do ano. Na Europa latina, ficou por conta do 6 de janeiro, Dia de Reis. Mas na Europa do norte assumiu-se o 6 de dezembro, data da morte de São Nicolau. Foi Martinho Lutero, em sua luta contra os santos que instituiu o protestantismo, quem mudou isso. Em sua Alemanha natal, transferiu a data para o dia 25 e fez com que dissessem que era homenagem a Christkind, o menino Cristo. Na Inglaterra, assumiu no vácuo uma imagem pagã, um sujeito vestido com manto verde, coroa de ervas e barba castanha – Father Christmas, Pai Natal, que aparece como o Espírito do Natal Presente no Conto de Natal de Charles Dickens. Lutero fracassou na Holanda. O 6 de dezembro ainda é um dos parcos e mais importantes feriados nacionais.

Ainda hoje, com suas barbas brancas, o hábito vermelho e chapéu de bispo, atores vestidos de São Nicolau passeiam no início de dezembro por Berlim, Amsterdã, Copenhague e arredores.

De certa forma, Papai Noel é invenção holandesa: Sinter Klaas, São Nicolau em sua língua. Quando vieram assumir o controle de parte do nordeste brasileiro, em 1630, os homens de Maurício de Nassau trouxeram Sinter Klaas e mantiveram a tradição de que crianças deveriam ser presenteadas no dia de sua morte. Quando foram expulsos em 1654 e tomaram o rumo de Nova Amsterdã, na América do Norte, levaram seu dia sagrado – com o bispo generoso junto. E é aí que a fábula moderna começa a tomar sua forma pelas mãos de três homens.

Os dois primeiros pais de Noel

O poema foi publicado anônimo num jornal de Nova York em 1823. Chamava-se ‘Twas the night before Christmas – “Era a noite anterior ao Natal; em toda a casa nenhuma criatura movia, nem mesmo um camundongo. As meias, penduradas na chaminé com cuidado, indicavam a esperança da vinda de São Nicolau.” Durante muitos anos, foi atribuído ao teólogo Clement Moore mas, recentemente, decidiu-se que o autor é o poeta romântico Henry Livingstone, conhecido pelos versos ligeiros.

São doze estrofes, uma graça de poema para crianças, e muito do clima do Natal holywoodiano está ali. Descreve um pai de sono leve que, enquanto mulher e filhos dormem, percebe que algo aterrissou no telhado – então alguém desce pela chaminé, sai todo sujo de fuligem. “Seus olhos, como brilhavam! Suas rugas, quão felizes! Suas bochechas, como rosas, seu nariz como uma cereja e a barba branca como a neve … Ele era gordinho e bonachão, um elfo feliz.” O poema foi recebido com tal gosto nos EUA que não houve Natal em que não tenha sido republicado desde então.

Livingstone era de família holandesa chegada na região no tempo em que Nova York era Nova Amsterdã, menos de um século antes. São Nicolau persistia na tradição da comunidade holandesa, mas era só entre eles. A esta altura, Nova York já tinha a cara do caldeirão de culturas européias e negras que produziu a cidade mais cosmopolita do mundo. E, de alguma forma, São Nicolau tomou ali a forma de elfo.

Toda a Europa tem lendas de gente pequena que varia de todas as formas: leprechauns, duendes, elfos – gente boa ou má, mágica ou não. O elfo do poema é um tomte sueco, do tipo anão de jardim que inspirou Walt Disney em sua Branca de Neve, bonzinhos e corados. Não é coisa holandesa mas de alguma forma, na mistura novaiorquina, assim ficou no poema, quebrando a sisudez do bispo católico e estendendo o fascínio pelo santo.

Thomas Nast veio criança para os Estados Unidos. Seus pais, alemães pobres, não sabiam o que fazer com o filho incapaz de estudar – talvez fosse disléxico, pois inteligência jamais lhe faltou. Ficou anos na escola e jamais aprendeu a ler. Mas desenhava horrores. Quando a Guerra Civil norte-americana estourou, a imprensa local cresceu por conta da ansiedade de saber notícias dos filhos e maridos na luta ao sul. As cenas de batalha de Nast, encravadas em madeira para impressão nos jornais, fizeram com que sua carreira deslanchasse. Publicava, principalmente, na Harpar’s Weekly, que ainda circula hoje, mensal, com o nome Harpar’s Bazaar.

Seu primeiro Papai Noel saiu na edição do Natal de 1862. Tinha feito sua mulher ler e reler ‘Twas the night before Christmas para inspirá-lo. Outras imagens do santo já haviam aparecido aqui e ali, mas a habilidade de Nast lhe permitia captar o clima mágico do poema como nunca dantes. A lareira com as meias penduradas, o elfo bonachão, uma certa felicidade ingênua. Fumava cachimbo e não tinha mais chapéu de bispo, substituído por um gorro. (Qualquer semelhança com o saci, de pito e carapuça, não é mera coincidência – têm a mesma origem no imaginário.)

Nast também tomou certas liberdades. Fixou residência de Sinter Klaas, já americanizado para Santa Claus, no Pólo Norte – não seria de nenhum país. Providenciou-lhe também uma fábrica de brinquedos na qual outros elfos, como ele, trabalhavam. E, se São Nicolau sempre andara a pé pelas ruas ou a cavalo, Thomas Nast decidiu que renas voadoras puxando-lhe um trenó eram mais adequadas. Estas, ele deve ter pescado da lenda finlandesa do Pai Inverno, o velho que anda de casa em casa e, quando bem recebido, provê para que a temperatura seja amena à família. Por fim, Nast decidiu que nem toda criança seria presenteada. Só as boazinhas.

Thomas Nast era mordaz na caricatura dos candidatos à presidência que não apoiava – e elegeu todos com quem simpatizava. Foi num cartum seu que pela primeira vez apareceram o burro, representando o Partido Democrata e o elefante, dos Republicanos. Inventou também o circuito de palestras para clubes e associações que até hoje sustentam jornalistas conhecidos. Durante 24 anos, publicou 76 imagens de Natal. Ele, que jovem custou a dominar o inglês, morreu rico, embaixador dos EUA no Equador, em 1902.

O marketing de Natal

Os entalhes de Nast e o poema de Henry Livingstone criaram um dos primeiros fenômenos da propaganda. Na década de 1880, uma loja de Boston contratou um ator para vestir-se de Papai Noel – era um escocês que adorava crianças e atiçou filas dia após dia de pessoas que ouviam de sua presença e traziam seus filhos dos lugares os mais distantes, pegando trem, enfrentando horas de viagem. A notícia de que o truque funcionava atravessou o Atlântico e, na década seguinte, na Inglaterra, Pai Natal – de verde e moreno, igualmente bonachão – passou a bater ponto no comércio.

A Coca-cola adotou o Papai Noel em suas propagandas nos anos 20 do século passado – era só mais uma empresa atacando o filão conhecido e rentável. Mas custou a dar certo. A empresa, já grande e de escopo nacional, trabalhava com uma penca de agências publicitárias concentradas em Chicago. Em 1931, repassou sua propaganda de Natal para o estúdio de Haddon Sundblom, um dos mais talentosos ilustradores de sua geração, comparável a Norman Rockwell e Alberto Vargas.

Sundblom era um sujeito alto, 1,92m, dono duma voz grave do tipo que se impõe em quaisquer discussões. Pintava a óleo e acrílico, sua especialidade eram as nuances de luz num ambiente escuro. Baseava-se sempre em modelos vivos: sua mulher, seus filhos, vizinhos – quem fosse. Entre seus feitos, o sujeito no rótulo das aveias Quaker. E também, nos anos 40 e 50, pin-ups – a sensualidade, biquínis curtos para o tempo, moças curvilíneas. A impressão a cores na capa e contracapa de revistas como a Seleções de Reader’s Digest popularizava-se nesta época e os outdoors já seguiam espalhados pelo país.

Papai Noel era seu vizinho: Lou Prentice, um caixeiro viajante aposentado. Anos depois, as lendas fizeram parecer que Papai Noel adotara as cores da Coca-cola; paranóia, foi coincidência, vestiu-se sempre de vermelho. Mas o cinturão e as botas pretas foram obra de Haddon Sundblom. Como foi sua humanização definitiva – os elfos continuaram, mas apenas entre seus ajudantes. E o cachimbo, naquele Natal de 1931, foi substituído por uma garrafa pequena do refrigerante. As cores intensas, a luz aconchegante de lareira e, principalmente, o alcance da verba publicitária da Coca-cola que espalhou a imagem por todos os EUA, fizeram de seu Papai Noel o definitivo. É, até hoje, o “Papai Noel tradicional”. Só que havia carisma, ali – vários desenhistas a serviço da empresa haviam tentado sem sucesso.

Sundblom cuidou da propaganda natalina da Coca-cola até 1964, quando a verba migrou para a tevê. Após a morte de Prentice, Papai Noel passou a ser seu auto-retrato. Morreu em 1976 – não sem antes confessar à revista Rolling Stone que jamais conseguiu suportar o gosto do refrigerante.

A chegada ao Brasil

Influenciado pelas origens na Europa latina, a troca de presentes no Brasil colônia se dava no Dia de Reis, 6 de janeiro, como ainda acontece na Argentina. O comum era a oferta de comida, mas era a época que os escravos ganhavam novas mudas de roupa, também. O símbolo do Natal era o presépio, inventado provavelmente por São Francisco, quando criou a Missa do Galo.

Segundo Luís da Câmara Cascudo, principal folclorista brasileiro e contemporâneo de Sundblom, Papai Noel chegou ao Brasil na década de 1920, importado junto com o cinema e o rádio. Mas bem no início ainda era São Nicolau, com chapéu de bispo e hábito. No pós-guerra, com a popularização dos importados norte-americanos – plásticos, a edição brasileira das Seleções e Coca-cola, chegou o Papai Noel definitivo.

Mas não só no Brasil: também na Inglaterra, na França, na Espanha, Portugal, Itália e boa parte da América Latina. Na Inglaterra, a imagem do velho simpático substituiu a do Father Christmas, mas o nome permaneceu. De lá, os franceses importaram o apelido para chamá-lo Père Nöel – Pai Natal, literalmente. Espanha e Portugal tomaram emprestado do vizinho e puseram pai no diminutivo: Papá Noel, Papai Noel. Por que não traduziram Nöel? Esta cabe ao Sérgio Rodrigues, vizinho cá de NoMínimo, responder.

De toda forma, não é correto dizer que Papai Noel é uma invenção da Coca-cola ou que seja folclore de todo artificial. São Nicolau é santo importante e querido dos portugueses, Sinter Klaas andou por Pernambuco e, em seus tempos de elfo, teve a mesma origem remota do Saci Pererê. É, no fim, produto da geléia geral de misturas que deu origem à cultura das Américas, um dos primeiros frutos da globalização em seu melhor sentido.


do excelente blog do Pedro Dória, em http://pedrodoria.com.br/2007/12/24/a-verdadeira-historia-do-papai-noel/


15 dezembro 2007

Aquele vento que vaga pelos campos e que toca a fronte de quem trabalha, aquele vento que vagueia pelo interior, pelos grotões do país, já não mais te encontrará...
Talvez rodeie tua lápide, talvez pergunte como você está, sem saber, o vento, que você nada responderá.
Aquele vento talvez leve um pouco da saudade, da solidão povoada desses dias...
Eu peço àquele vento que leve, daqui para longe, a saudade.
A tristeza...
As lembranças...
Eu peço àquele vento que leve e traga certas coisas que eu sei que ele não pode fazer...

Continua o grande mistério da vida e o enorme deslocamento que a morte nos causa...

07 dezembro 2007

Foi assim, depois de um dia de trabalho, com tudo aquilo que se pode esperar de um dia desse tipo, resolvi beber a minha cerveja e sair por aí. Não fui longe. Mas foi o suficiente...

Suficiente pra lembrar de uma coisa que nunca contei pra ninguém, principalmente para alguém que saberia entender o porquê. Mas já era , o tempo já passou, o mundo deu muitas voltas e eu fui, junto com aquele que ouviria meu segredo, para longe...

30 novembro 2007

Não é que o Curintia acabou perdendo pro Vasco? E o Goiás pro Galo?
O tricolor da vila continua vivo, respirando por aparelhos, é verdade.

Se meu irmão fosse vivo diria, entre uma risada e outra, que " o vascão vai salvar teu paranazinho, pode escrever..."

Deus lhe ouça e te dê uma abraço, por nós, que sentimos tua falta...

25 novembro 2007

Paraná Clube 2 X 3 Santos.

Segunda divisão lá vamos nós.
É horrível ver o time precisando desesperadamente ganhar o jogo, fazer 2 x 0 e, em dez minutos, ver o rival fazer três gols, através de centro-avante que já foi jogador de nosso rival local.

O Saulo deve estar pensando que, quando estava dois a zero, poderia ter mudado o time de outra forma, escalando mais marcadores, sei lá.

Mas vai ficar, pra sempre, a lembrança de um ano que o time disputou a Libertadores e prometia disputar o campeonato com um time competitivo. Mas veio a necessidade de competência da diretoria e as coisas se complicaram.

O tricolor é meu amor...

18 novembro 2007

E o tempo, que vai passando...

O tempo vai passando, meu filho está crescendo, plantamos flores no jardim e ficamos torcendo para que a chuva, anunciada por um céu cinza desde o meio da tarde, não viesse forte demais.
Final de semana que vem faz dois meses que meu irmão morreu de forma repentina, deixando-nos perplexos, tristes, e eu inconsolável por um bom tempo. Lembro dele todo dia, seja olhando para as peças da casa que ele me ajudou a reformar ou assim, de repente, quando lembro de um plano para o futuro que tínhamos feito mas a morte nos impediu de realizar juntos. Até poucos dias atrás quando eu lia algo ou estava assistindo um filme que achava que ele fosse gostar, pegava o telefone e, quando ia discar o número do celular dele, é que me dava conta de que ele não está mais lá para atender.
Sei que para muitos isso é uma heresia, mas como eu gostaria de poder acreditar nessas coisas de vida após a morte, céu, paraíso, ou seja lá o que for. Mas me convencí há muito tempo de que somos partes da natureza e com ela nascemos e morremos.

15 novembro 2007

O HOMEM DO ESPELHO

Quando conseguir tudo que quer na luta pela vida
e o mundo fizer de você rei por um dia,
procure um espelho, olhe para si mesmo
e ouça o que aquele homem tem a dizer.

Porque não será de seu pai, mãe ou mulher
o julgamento que terá que absolvê-lo.
O veredicto mais importante em sua vida
será o do homem que o olha do espelho.

Alguns podem julgá-lo modelo,
considerá-lo um ser maravilhoso,
mas ele dirá que você é apenas um impostor,
se não puder fitá-lo dentro dos olhos.

É a ele que deve agradar, pouco importa os demais,
pois será ele quem ficará ao seu lado até o fim.
E você terá superado os testes mais perigosos e difíceis
se o homem no espelho puder chamá-lo de amigo.

Na estrada da vida, você pode enganar o mundo inteiro,
e receber tapinhas no ombro ao longo do caminho.
Mas seu último salário será de dores e lágrimas,
se enganou o homem que o fita no espelho.

Dale WimBrow

07 novembro 2007

Quem é o melhor?

fonte: http://www.newdreamteam.org/portal/viewtopic.php?t=3401&highlight=


Um dia quiseram ver quem era o melhor: McGyver, Jack Bauer, ou Cap. Nascimento (tropa de elite).

Chegaram pro McGyver e falaram: A gente soltou um coelho nessa floresta. Encontre mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!
McGyver pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e uma pedra e entrou na floresta. Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos em floresta e voltou no 3o dia com o coelho.

Daí chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa. Ele entrou correndo na floresta e 24 horas depois apareceu com o coelho. Pediu desculpas porque teve q desarmar 5 bombas nucleares, recuperar 15 armas quimicas, escapar de um navio cargueiro que ia pra china e matar 100 terroristas pra chegar até o coelho.

Daí pediram para o Cap. Nascimento ir buscar o coellho. Se ele demorasse menos de 24 horas ele seria o melhor. No que ele respondeu:
- Ta de sacanagem comigo 05? Cê ta de sacanagem comigo ? Você acha que eu tenho um dia inteiro pra perder com essa porra de brincadeira 05 ? Tu é mo-le-que! MO-LE-QUE 05!!! Virou-se calmamente para a floresta e gritou:
- Pede pra sair!!! Pede pra sair dessa porra!!!
Em menos de 5 segundos já tinha saido da floresta 300 coelhos, 20 jaguatiricas, 50 jacarés, 1000 paca-tatu-cotia-nao, o Shrek e o monstro fumaça do Lost.
Daí ele gritou:
- 02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02! 07, traz a 12!
Nisso o Bin Laden saiu da floresta correndo!!!

02 novembro 2007

Às vezes volto à infância e me pego pensando no abacateiro no meio do terreiro, na rua de paralelepípedos, no rio de águas sujas que passava perto de casa e de meus pais, num dia de domingo, ele a mexer em suas ferramentas e ela a preparar o almoço. Meus irmãos, então, passam correndo pelo terreiro a disputar alguma coisa, a ver quem tem razão em determinado assunto ou questão.
E me vejo olhando tudo isso, com olhar apaixonado e sonhando o futuro daquela minha gente... Mas entendo hoje que eu também era muito criança para entender toda a beleza do momento; quando me chegam essas lembranças, a saudade vem junto. Mas é uma saudade que parece doída mas se torna macia, quase a dizer que muitos se entregaram e eu conseguí chegar até aqui, quase convencido que a morte também me trouxe vida.
Eu trago comigo cada essência do ser de meus pais, o carinho e sinceridade que via em meu irmão e a ternura que o único olhar que ví de meu filho, antes que ele morresse, me deixou. Obrigado a vocês, eu os amo. Sempre amarei.

29 outubro 2007

Mesa do Senado fecha os olhos para
os ilícitos de Azeredo como governador

A mesa diretora do Senado arquivou a representação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), livrando o tucano de rsponder processo por quebra de decoro parlamentar no Cnselho de Ética sobre o tucanoduto, que desviou recursos públicos para sua campanha à reeleição ao governo de Minas em 1998.Para livrar Azeredo do processo, os senadores alegaram que o episódio ocorreu fora do mandato parlamentar, que já foi examinado pelo Conselho de Ética do Senado e se encontra sob análise no Ministério Público Federal. A decisão da mesa pelo arquivamento da denúncia contra o tucano foi aprovada por unanimidade na última terça-feira.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, informou na semana passada que a decisão sobre a denúncia contra Eduardo Azeredo pelo tucanoduto só ocorrerá após seu retorno de viagem à Europa, no dia 27 deste mês. “Tentei resolver tudo antes de viajar, mas não deu tempo”, esquivou-se. No relatório da Polícia Federal o desvio de dinheiro de estatais como a Cemig, Comig, Copasa e Bemge para o caixa 2 de Azeredo é bastante detalhado. Contém perícias que comprovam a autenticidade de documentos - como o relatório produzido pelo caixa de campanha Cláudio Mourão, onde ele detalha o caminho percorrido pelo dinheiro roubado do Estado – e ainda traz laudos contábeis sobre a movimentação financeira dos recursos desviados.


Fonte: http://desabafopais.blogspot.com/

20 outubro 2007

A morte

A morte passou por aqui e deixou marcas profundas, de alma e coração.
Mas a vida se impõe, teima em trazer serenidade e questionamento à lágrima mais solitária e secreta.
Fica a saudade de meu irmão que se foi...
Com certeza eu morrí um pouco, também, mas a vida, como já disse antes, se impõe.

14 outubro 2007

Aquela coisa toda

Oswaldo Montenegro

Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem pra você
O fato é que a gente perdeu toda aquela magia
A porta dos meus quinze anos não tem mais segredos
E velha, tão velha ficou nossa fotografia
Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem prá você
A quem é que a gente engana com a nossa loucura
De certo que a gente perdeu a noção do limite
E atrás tem alguém que virá, que virá, que virá, que virá, que virá

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Onde achei: http://letras.terra.com.br/oswaldo-montenegro/47873/


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10 outubro 2007

Assembléia MSM - dia 13.10.07


Realizar-se-á assembléia em São Paulo na qual será votada a proposta de criação jurídica da ONG MSM(Movimento dos Sem-Mídia), a eleição de uma diretoria e a votação de um estatuto, como manda a lei. Além disso, deliberaremos sobre a próxima manifestação que faremos. O evento ocorrerá no próximo sábado, dia 13 de outubro, a partir das dez horas da manhã, no auditório
da Sociedade de Usuários de Informática e Telecomunicações de São Paulo (Sucesu-SP), situado na Rua Tabapuã, nº 627, bairro do Itaim Bibi, em São Paulo (SP), telefone (11) 3556-6666.

08 outubro 2007

Pink Floyd - Wish You Were Here


Queria que Você Estivesse Aqui


Então, então você acha que consegue distinguir
O céu do inferno, céus azuis da dor?
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?

Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos

Queria que você estivesse aqui


Onde achei: http://www.seeklyrics.com/lyrics/Pink-Floyd/Wish-You-Were-Here-tradu%E7%E3o.html


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06 outubro 2007

The End

The Doors

Este é o fim, querido amigo
Este é o fim, meu único amigo

De nossos planos elaborados, o fim
De tudo que está de pé, o fim
Sem segurança ou surpresa, o fim
Nunca vou olhar em seus olhos outra vez

Consegue imaginar como será
Tão sem limites e livre
Desesperadamente precisando da mão de algum estranho
Em uma terra de desespero

Perdidos numa imensidão romana de dor
E todas as crianças estão loucas
Todas as crianças estão loucas
Esperando pela chuva de verão

Há perigo nos limites da cidade
Siga pela estrada do rei, baby
Cenas misteriosas dentro da mina de ouro
Siga pela estrada do oeste, baby

Monte a cobra, monte a cobra
E siga para o lago, o antigo lago, baby
A cobra é comprida, sete milhas
Monte a cobra
Ela é velha e sua pele é fria

O oeste é o melhor
O oeste é o melhor
Venha para cá e faremos o resto

O ônibus azul está nos chamando
O ônibus azul está nos chamando
Motorista, para onde você está nos levando?

O assassino acordou antes do amanhecer
Calçou suas botas
Pegou um rosto na antiga galeria
E seguiu pelo corredor
Ele foi até o quarto onde sua irmã morava
E então ele visitou seu irmão
E então ele, ele seguiu pelo corredor
E ele foi até uma porta, e olhou para dentro
Pai, sim filho, eu quero te matar
Mãe, eu quero...

Venha, baby, vamos nos arriscar
Venha, baby, vamos nos arriscar
Venha, baby, vamos nos arriscar
E me encontre atrás do ônibus azul
Fazendo um rock triste
Em um ônibus azul
Fazendo um rock triste
Venha!

Mate, mate, mate, mate, mate, mate

É o fim
Querido amigo
É o fim
Meu único amigo, o fim

Dói te libertar
Mas você nunca iria me acompanhar
O fim do riso e das leves mentiras
O fim das noites em que tentamos morrer

É o fim.

Onde achei: http://letrasdany.blogspot.com/2007/07/doors-end-traduo.html



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05 outubro 2007



Imagem criada por Rob Gonsalves.





Mais do seu trabalho em http://www.zuzafun.com/illusion-paintings

O trabalho do cara é tão bacana e tem gente por aí usando suas imagens sem fornecer-lhe o crédito.

Sacanagem.




02 outubro 2007


Como Nossos Pais

Belchior
(Do disco "Alucinação", 1976)

Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor
Do que a vida de qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós
Que somos jovens...

Para abraçar meu irmão e beijar minha menina na rua
É que se fez o meu lábio, o meu braço e a minha voz...

Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado com uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade, não vou voltar pr'o sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
E eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração...

Já faz tempo e eu vi você na rua
Cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória,
Esta lembrança é o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo,
Tudo, tudo, tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...

Nossos ídolos ainda são os mesmos
E as aparências, as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu estou por fora
Ou então que eu estou enganando...

Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem...

E hoje eu sei que quem me deu a idéia
De uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando seus metais...

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo,
Tudo, tudo, tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

30 setembro 2007

Jonn Elvis Maximiniano
28.02.1972 - 24.09.2007


Começarei por dedicar-lhe cada verso meu, cada novo texto, cada momento bom da vida.
E à morte, que levou meu irmão dessa maneira, imprevista, cruel, surrealista, pergunto o que mais há de querer de meu presente, meu momento de vida.

É assim, às vezes tudo fica cinza, tudo parece que não tem graça e até o amor por aqueles que estão presentes passa despercebido no meio dessa terra em que se vive a vida e que agora parece arrasada...

Não há mais lágrima a ser chorada. Não há mais dor que se sobreponha a essa, que ainda dói e sei levará tempo pra dar uma trégua.
Assim é a vida, diziam alguns no velório. Eu, de forma deselegante, confesso, os interrompia pra dizer que assim é a morte. A vida é diferente. Da vida era o que ele lembrava àqueles que estavam ao seu redor, com seu bom humor, sua simplicidade e suas demonstrações claras e francas de carinho.

Adeus.
Até mais.
Sinto muito por tudo que deixamos de fazer juntos e que você gostaria de ter feito.
Meu irmão...